dito assim parece à toa |
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Comentários, reflexões, declarações e acessos eventuais de fúria ou riso, relacionados com o desenrolar da história.
Disse assim: Out 2003 Nov 2003 Dez 2003 Jan 2004 Fev 2004 Mar 2004 Abr 2004 Mai 2004 Jun 2004 Jul 2004 Ago 2004 Set 2004 Out 2004 Nov 2004 Dez 2004 Jan 2005 Fev 2005 Mar 2005 Abr 2005 Mai 2005 Jun 2005 Jul 2005 Ago 2005 Set 2005 Out 2005 Nov 2005 Dez 2005 Jan 2006 Fev 2006 Mar 2006 Abr 2006 Mai 2006 Jun 2006 Jul 2006 Ago 2006 Set 2006 Out 2006 Nov 2006 Dez 2006 Jan 2007 Fev 2007 Mar 2007 Abr 2007 Mai 2007 Jun 2007 Jul 2007 Ago 2007 Set 2007 Out 2007 Nov 2007 Dez 2007 Dizem por aí: Carne Crua Salón Comedor Observador Catarro Verde Blog da Milk Frankamente Pecus Bilis Quase Pouco Navegar Impreciso Muié Pérola Negra Filosoclics Guga Alayon Cyn City Perplexo Inside A Vida em Palavras Taxitramas Marina W. Terapia Zero Talvez sim, talvez não Alex Senna Drops da Fal Infinito Positivo Zeitgeist Anunciação Críticas e Reflexões Peri S. Coppio Josimar Melo Lord Broken Pottery Meg (Sub Rosa) Imprensa Marrom Lucia Guanaes, fotos MM Leite, fotos |
27.9.07
Foi-se o Mangabeira
O PMDB resolveu mostrar as garras e votou com a oposição pela rejeição da medida provisória que estabelecia a criação da Secretaria Especial de Planejamento de Longo Prazo. Esta era uma das poucas iniciativas do governo Lula que iam na linha de pensar estrategicamente o país, contrastando com a gestão ad hoc que marca a administração pública brasileira. É esse o papel do PMDB: chantagear os governos que apóia. Isso é mais barato e vantajoso do que estar no poder. Os abutres da maior bancada no parlamento já perceberam isso. É mais ou menos como seqüestradores que, para reafirmar o poder sobre a vida do seqüestrado, mandam uma orelha do coitado à família. Neste caso, a orelha foi a pasta do professor Mangabeira Unger, um sujeito controvertido, mas tido como uma das grandes inteligências do Brasil. Inteligências e planos de longo prazo não interessam ao PMDB. O partido hoje representa apenas um balcão de negócios com grande poder de barganha. Se o governo começa a mostra alguma parcimônia na distribuição de cargos aos protegidos do megapartido, seus representantes não hesitam em rugir. A vítima da demonstração de força, mais uma vez, foi o Brasil. Gente capaz pensando o futuro da Nação deveria ser prioridade em relação à nomeação do diretor de balsas chatas do porto de Ubatuba ou do subsecretário da pesca da sardinha. Mais uma vez o partido de Renan Calheiros aduba a depressão geral. Enquanto isso, as lideranças que pensam no país estão irremediavelmente divididas em duas. Os peemedebistas cagam de rir. 24.9.07
Um dia de chato
Um dos focos de investigação humana é o chato. O que é, o que causa os sintomas, de onde ele vem, como enfim definir. Particularmente, eu tenho uma definição que já publiquei aqui: o chato é o psicopata carente. Abaixo, o retrato falado de um dia na vida de um chato: - É (na verdade, crê ser) o melhor amigo do constrangido porteiro do prédio. - Ao chegar ao trabalho, faz sempre a mesma piadinha com a recepcionista. - Tem certeza de que a recepcionista quer dar para ele. - Quando o chefe não está, refere-se a ele pelo apelido mais íntimo. - Quando o chefe chega, o chama de chefe (o chato e o puxa-saco são primos). - É (na verdade, crê ser) o melhor amigo do garçon do restaurante onde almoça. - Pede sempre o prato acrescido da aposição "do meu jeito", o que pode significar combinaçoes complicadas de ingredientes e temperaturas de cozimento. - Na volta do almoço, repete a piadinha com a recepcionista. - Sempre procura saber o que o chefe acha dele. E dos outros. - É (na verdade, crê ser) o melhor amigo do chefe da expedição, com quem fala furiosamente mal de todos os colegas. - É o primeiro a chegar ao boteco para o happy-hour. - Faz sempre um comentário sobre o "atraso" dos outros. - Perde o amigo mas não perde a piada. - Declara: "Eu perco o amigo mas não perco a piada", e ri. - Depois da piada, crê sinceramente que não perde o amigo. - Acha sinceramente que a piada é engraçada. - Se alguém na roda está contando uma piada que ele conhece (e ele conhece muitas), ele interrompe e continua de onde o outro parou. - Questionado, alega que conta a piada melhor que o outro. - Terminada a piada, ele ri mais do que todos em volta. - Dá um tapa nas costas do sujeito ao lado e pergunta se ele entendeu. - Na hora de ir embora, levanta, dá um aceno geral e diz que depois acerta a conta com alguma vítima escolhida ali na hora. - Volta para casa e conta à mulher como as pessoas do grupo o acham engraçado. - Refere-se às pessoas do grupo como "turminha" ou "nossa turminha". - Não percebe a ligação furtiva que a mulher faz para o amante. 21.9.07
Quadras da sina Sei-lhe o tamanho dos lábios; o que não sei, adivinho. Cedo-lhe a taça de vinho e meus padrões -- os mais sábios. Sabe-me a pouca paciência, apesar do que, releva: "Do mundo nada sew leva", educa-me antes da ardência. Tento ser largo e sereno, não é sempre que consigo. Não sei ser só bom amigo, fazer o quê? Eu enceno. Se ela percebe em um gesto minha eterna vigilância, me castiga co'a distância, me convence que eu não presto. Livre, livra-se de mim e passeia pelo mundo. Enquanto eu fico e afundo, ela ganha o céu sem fim. Mas sempre volta depois. Desdenha minha saudade, nem sempre diz a verdade se diz "agora, nós dois". Se às vezes não sei se aceito voltar a tal sofrimento, ela me dá o argumento deixando entrever um peito. Então, como é recorrente, ela me prende outra vez, eu logo esqueço o que fez e desisto de ser gente. 20.9.07
Fragmento de "O Preço do Peixe"*, 27
Houve um tempo em que o Brasil experimentava a sensação ambígua do pré-adolescente, que vive tutelado e ensaia os primeiros passos de liberdade. Exauria-se a solução autoritária, imposta duas décadas antes pelo poder militar associado a parte importante da burguesia nacional. Tempos de "abertura". A uma certa desconfiança juntava-se o entusiasmo de quem via a vida renascer plena, a expressão livre sendo seu maior sinal. Nunca se fez tanto show com tanto desejo em cada nota, cada compasso dando a cadência de um novo tempo. As platéias lotadas se uniam ao palco cheio de vida e o canto saía um só. Naquela noite, isso se fez literal: no badalado teatro da Bela Vista, que tinha três salas diferentes, uma delas ia apresentar um show com uma estrela da época, já consagrada atriz e cantora, disposta, como muitos a dispensar o cachê e doar a arrecadação da bilheteria a alguma causa -- fazia-se isso àquela época. Abertas as portas do auditório, o que se viu era que haviam sido vendidos muitos ingressos a mais do que o número de cadeiras da casa. Muitos mais, a ponto de, em poucos minutos, além da platéia estar lotada, os corredores e demais espaços vazios estarem totalmente ocupados. E ainda havia gente para entrar. O que restou a essas pessoas foi ir subindo ao palco. Primeiro no estreito espaço que ia até o pé dqa cortina fechada. Minutos depois, para trás da cortina: pelo menos uma dezena de pessoas entrou por baixo do pano e se acocorou nos cantos do palco, onde logo a seguir a cantora se apresentaria. Ele estava fascinado com aquilo tudo. Tinha chegado ali atrás das cortinas quase empurrado. Agora sentia a mesma sensação que um astro nos segundos que antecedem uma entrada triunfal em cena. Os panos grossos abafavam boa parte do ruído que vinha da platéia e faziam o palco parecer mais uma grande sala a meia luz. Os músicos afinavam seus instrumentos, ajeitavam as partituras, trocavam piadinhas. Ele, sentado no seu canto, não perdia nenhum detalhe. Uma campainha tocou sem que ninguém ligasse muito. Minutos depois, um segundo toque transformou a tranqüilidade em alerta. Uma terceira campainha e a cantora apareceu, negra, esguia, linda, com um vestido longo que lhe deixava as costas nuas e lhe desenhava os seios firmes. Ela já estaria em cena quando a cortina subisse. Seu rosto tinha a mesma tensão do resto da trupe ali atrás, esperando que, num espetáculo às avessas, a máquina que levantaria o pano desse entrada à platéia repleta. E a cortina não se levantou. A máquina falhara. Poucos segundos depois, um homem baixo, gordote, chegou agitado a dois palmos de onde ele, paralisado, esperava, tomou uma corda grossa nas mãos e começou a puxar com força, pendurando-se mesmo nela. Tentava subir a cortina com as próprias mãos. Ouviu-se então um estalo e um grande contrapeso de concreto desabou, a menos de meio metro de onde o jovem sentado esperava, e atingiu em cheio a perna direita do baixinho que tentava subir a cortina. O palco se agitou como nunca. Três pessoas removeram dali o homem machucado. A cantora tinha o susto marcado no rosto, enquanto o menino agora estava mais menino. Ela, então, ao olhar em volta, o viu ali sentado, paralisado pelo susto. Aproximou seu rosto do dele, fez-lhe uma carícia nos cabelos e então deu-lhe um longo beijo na boca. O tempo parou até o momento em que a cortina se abriu, sabe-se lá como. Assim que a platéia apareceu-lhe na frente, a cantora virou estrela e seu rosto tenso transformou-se em um só sorriso, enquanto emitia as primeiras notas, abafadas pelo delírio da casa cheia. O menino ouviu tudo, da primeira à última nota, as palmas, o atropelo da saída, o aviso do vigia de que não havia mais ninguém ali, que ele teria de ir embora. Tudo era música. 17.9.07
Dia a nascer
Um artigo da cantora Vange Leonel, em sua coluna na Revista da Folha, me fez parar para pensar. Vange fala de um jeito de levar a vida que tem como idéia central a capacidade de acordar de manhã e ver tudo como se fosse um recomeço, uma nova vida, como se os atos rotineiros pudessem ser vistos no que têm de novas experiências, como se cada um tivesse um quê de descoberta. Seu texto, na verdade, é uma declaração de amor, não a sua companheira, mas à vida em comum que levam. No entanto, para este leitor incauto, ficou a idéia de que é melhor -- e pode ser possível -- acordar sempre com o pé direito, sempre achando que o cocô antecede o cavalo, que o sonrisal pode ser champagne, que o nascer do sol traz realmente um novo dia. O tratamento suave que a colunista dá ao enfrentamento diário da vida contrasta com o que habitualmente se lê nos textos que representam causas de minorias discriminadas. Não há raiva, não há pieguice, não há revanche, não há confronto. Há simplesmente a descrição de uma postura. Calma, sossegada. Não nego: fiquei com inveja. 12.9.07
O senador símbolo
Nos comentários de dois posts abaixo, desabafo, em uma resposta à querida Vivien, lamentando o destino a que os equívocos políticos levaram os principais partidos de corte social-democrata, nestes tempos enrolados com seus DEMs, no caso tucano, e seus ex-Arena-PDS e PTBs, no caso petista. Gostaria de ter podido ver os dois juntos, o que hoje parece mesmo impossível. Digo isso para que não pareça que este humilde eleitor compartilhe de uma certa lulofobia que tem acometido boa parte da nossa classe média urbana, e que parece ser mais fundada em preconceito de classe do que em crítica política sustentada. A minha crítica ao governo Lula, eu já disse aqui, não é por ele ser péssimo, é por ele ser médio. E não é por ele ser continuísta, é por ele dizer que não é. De certa forma, cospe no prato em que ainda come. Tudo para comentar uma particularidade desse episódio repulsivo que foi a absolvição, pelo senado, de Renan Calheiros. Trata-se da postura do senador Aloizio Mercadante que, antes da votação se fechava em copas e, ao fim absteve-se. Sim, absteve-se alegando coisas como "só há crime fiscal depois que a Receita declara que houve", quando já se provou que o empréstimo foi feito e não declarado. Considerando que o que estava em questão era o decoro parlamentar, juntando o lé e o cré não seria necessária a tal declaração. É difícil saber quais são os desígnios do senador. O que se vê, cada vez mais claramente, é que Aloizio se apequena a cada capítulo de sua vida política recente. Começou com o tal dossiê contra os tucanos, uma trapalhada cometida por um de seus assessores mais próximos, que ele alega que ignorava. Político que ignora o que um de seus braços direitos faz para turbinar sua própria campanha é no mínimo incompetente para gerir qualquer coisa mais importante que as próprias calças. Com uma forma entre o revolucionáro e o impoluto, exibindo uma severidade quase atemorizante, o senador passou a vida posando de economista iluminado e descendo o sarrafo nos governos a que se opunha. No entanto, na hora de mostrar o que realmente podia fazer pelo Brasil, exibiu uma vocação inegável para a lambança. O austero senador parece simbolizar perfeitamente o momento que seu partido hoje vive. Na bancada petista, o que mais se verá é senador fingindo de morto. Triste fim de carreira de malandro. Ou começo. 10.9.07
Cadê?!?
Entre agora e quarta-feira, há um assunto preponderante: Renan Calheiros. O destino político do senador alagoano será decidido em votação secreta do plenário do Senado. Nada de novo até aí, a não ser por um detalhe: no meio de toda essa gritaria, existe uma turma que está quase em silêncio: o PT. Sim, é incrível, aquela turma saudável, sempre disposta a colocar o vozerio a favor de qualquer CPI que fosse contra os governos a que se opunha, agora finge que não vê bem o que acontece, age como se a votação de quarta-feira fosse algo rotineiro, não fecha questão contra Renan (quase fechou a favor), enfim, não parece nem uma desbotada imitação do que era há 15 ou 20 anos. Especula-se que Aloízio Mercadante poderia votar com Renan. Dá-se como certo que pelo menos meia bancada dos companheiros o fará. De 1o. de agosto até hoje, em 243 posts, o blog de José Dirceu fala apenas duas vezes do caso Renan, uma delas, em 6 de setembro, apenas contando os resultados das votações do Conselho de Ética e da Comissão de Constituição e Justiça. Nenhuma palavra sobre as evidências de malandragem, nem contra nem a favor, nem na defesa nem no ataque. O PT está com vergonha. Ou melhor, o PT está sem-vergonha, mas acanhado por isso, assobiando e olhando para cima. Na moita, range os dentes (de novo) para o senador Eduardo Suplicy, que vota de acordo com o que o partido sempre defendeu. Enquanto isso, se gaba de ter entrado com mais de 100 pedidos de CPI em São Paulo. Em uma demonstração de falta de noção do que a história mostra, grita pela reestatização da Vale do Rio Doce (aliás, num post logo acima, falo que a Vale rende 8 vezes mais, em impostos do que a Vale estatizada; errei: são mais de 12 vezes, segundo a Folha). Valter Pomar condena publicamente Marta Suplicy pelo constrangido reconhecimento da ministra de que a tese é uma balela extemporânea. Fica a pergunta: cadê o PT? Sumiu assim tão fácil? Cadê a condenação impiedosa à corrupção, ou mesmo que à leve suspeita? Cadê a assertividade do senador Mercadante, a intransigente defesa do bem como feita por Tião Viana ou Ideli Salvati? Cadê o PT? Desta vez, fica claro: o gato comeu. Ou o PT comeu o gato. 6.9.07
Reaprender a comemorar
O jurista Goffredo Telles Jr. Completam-se, em 2007, 30 anos da retomada do movimento estudantil e do início do processo de redemocratização do Brasil, que teve na Carta aos Brasileiros, lida por Goffredo da Silva Telles Júnior durante a comemoração dos 150 anos dos cursos jurídicos no Brasil, um marco fundamental. Aquele foi um ano agitado. O general-presidente Ernesto Geisel, disposto a implementar seu projeto de abertura lenta e gradual, batia forte e assoprava. Lentamente foi caindo a censura à imprensa, mas cairiam também as eleições diretas para governador, a serem realizadas em 1978, alguns exilados começaram a voltar, como era o caso de Almino Affonso e Plínio de Arruda Sampaio, porém sem os direitos políticos, a máquina da repressão, comandada pelo lado mais negro dos militares -- os ditos falcões --, ia cultivando um saldo de mortes que já contava, desde o ano anterior, o jornalista Vladimir Herzog, o operário Manuel Fiel Filho e os líderes comunistas Pedro Pomar, Ângelo Arroio e João Batista Drummond, naquela que foi conhecida como a "chacina da Lapa". Nestes 30 anos, muito pouco tempo na história de um país, foi-se reconstruindo (ou construindo?) um arcabouço democrático, negociando regras, refazendo limites e fronteiras. Em 79, a anistia viabilizou uma aceleração na retomada da democracia, que se convenciona considerar efetivada com a posse de José Sarney, em 15 de março de 1985, embora fruto de uma eleição indireta. A primeira eleição direta viria apenas em 1989 e levaria ao poder um arremedo de presidente, o bufão alagoano Fernando Collor de Melo. Do golpe à eleição de Collor, 25 anos. Da eleição de Collor até hoje, 18 anos. Ou seja, ainda não chegamos a ter o mesmo tempo de normalidade democrática que tivemos de regime de exceção ou de transição (o período Collor-Itamar pode ser considerado tão de transição quanto o período Sarney). Tudo isso para dizer, olhando hoje as notas sobre a recomendação da cassação de Renan Calheiros, que temos uma democracia que se desenvolve, que melhora e se aprimora. A postura do STF, de acatar as denúncias contra os supostos 40 mensaleiros, a queda de Renan, o papel da imprensa nisso tudo mostram que dias melhores estão vindo. É preciso recuperar a capacidade de comemorar. Apenas para começar, viva o doutor Goffredo. Viva o Brasil. 4.9.07
Comentários gerais e, em geral, inúteis
O procurador-geral Rodrigo Pinho Existe uma vaga sensação de que o mundo pode melhorar. O mais recente bode na nossa sala, a vitaliciedade no cargo do promotor-matador Thales Schoedl, foi suspensa em Brasília, e o procurador-geral Rodrigo Pinho teve um postura corajosa e exerceu um papel fundamental para que o desfecho corporativista fosse ao menos suspenso. *** Aqui se faz, aqui se paga: a postura sempre autocentrada e superior do PT -- que eu chamaria de esnobismo proletário -- está levando a turma a ameaçar seu próprio projeto de poder. Ao contrariar o presidente do partido e firmar posição pela candidatura própria, os petistas ligados a José Dirceu reavivam sua postura de melhores do mundo, um tanto latente desde os tempos dos "recursos não contabilizados", e correm o risco de perder definitivamente a chance de fazer o sucessor de Lula. *** Mais uma do congresso estreludo: propor a reestatização da Vale do Rio Doce, "patrimônio dos brasileiros" ou qualquer outra bobajada semelhante. A Vale hoje rende à União algo próximo de 8 vezes mais do que rendia nos tempos de estatal. Não é por outra razão que o governo dos petistas Lula e Paulo Bernardo não passa nem perto de uma proposta tão estapafúrdia. É como ouvi outro dia: "Patrimônio dos brasileiros? Prefiro minha parte em dinheiro". *** Texto de Carlos Heitor Cony na Folha de hoje traz uma posição ponderada a respeito dos crimes cometidos pelos militares durante a ditadura: é preciso abrir os arquivos e revelar à Nação o que aconteceu. Ao mesmo tempo, é preciso respeitar o princípio da anistia de 1979, que, com todos os defeitos, foi a peça básica para a retomada dos estado de direito. A refletir. |