dito assim parece à toa

28.4.07

Menoridade mental e indigência legislativa


Charge de Jean, na Folha de 28/4: definitiva.

Pesquisa com leitores da Folha Online dá conta de que 71% são a favor da redução da maioridade penal para 16 anos, 21% são contra e 7% são indecisos.

Eu já disse aqui que há tempos vinha deixando de dar crédito ao velho discurso de que o brasileiro é vítima rendida e tadinha de uma elite malvada e perversa. O brasileiro pensa por si mesmo, e os desastres que perpetra pelo voto não são culpa "da elite", "dos político" (sic). É culpa da decisão coletiva, livre e democrática. Se o revólver que ele tanto preza servir para engordar as estatísticas de acidentes com bala ou crimes passionais, a culpa não é "dos rico" (sic). É dele, ou melhor, é nossa.

Veremos nossos parlamentares refletir um ódio de classe irracional e uma covardia desmedida e, com eles, votar. Vamos ver a população destilar raiva e, assim, plantar mais uma bomba-relógio nesta terra já tão esburacada. Em 2015, os mesmos equivocados, ainda achando que nada têm a ver com a encrenca crescente, estarão defendendo a pena de morte e, quem sabe, a institucionalização de campos de concentração e salas de tortura.

A mesma burrice que diz que um garoto de 17 anos e 364 dias de vida é diferente de um de 18 anos e um dia agora vai fazer a transferência aritmética da bobagem. Os nossos parlamentares oportunistas encontrarão eco no pensamento mágico de nossa população e proporão, sob aplausos babantes, mais uma solução fácil que, de solução, não tem nada. Enquanto isso, o debate sério e conseqüente, a busca de soluções que solucionem (com o perdão da obviedade) fica adiada para depois de algum carnaval distante.

É desse material que é feito nosso país. Somos um coletivo de limítrofes. Perdemos as chances que tivemos e, assim, vamos democraticamente para o saco, com o apoio orgulhoso, até eufórico, de uma população que se acha inteligentíssima, "abençoá por dê e boni por naturê", os mais espertos exemplares da espécie humana.

Esta é a terra do malandro-otário. Somos os donos relapsos de um destino inglório e sobejamente merecido.

26.4.07

Mau humor



Não consigo entender onde vai parar a propaganda de bebida. Antes de tudo, é um descalabro uísque ser anunciado na televisão. Mas já que é, como explicar aquela campanha do Johnnie Walker estrelada por um robô melancólico, que parece um primo descascado do Surfista Prateado? Acho que foi planejada, criada e aprovada com base em uma vivência concreta da marca -- ou seja, todo mundo encheu a lata de Juanito Caminador e botou a tal campanha no ar.

***

E a Zeca-Feira? Que será que eles beberam?

***

Terça-feira tive um dia de trabalho que invadiu a noite e terminou às 2 da manhã de ontem. Tive um insight importante: deve haver uma razão muito séria, transcendental, para que eu não seja herdeiro de uma fortuna em barras de ouro depositada em uma agência do BNP no centro de Paris. Qual será?

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Não consigo mais ver TV. Ontem à noite, tentei. Apenas para me deprimir. Liguei no programa do Jô Soares que, outrora, foi o lugar de entrevistas com gente importante, famosa, que gerava curiosidade. Pois ele trouxe um cara vestido de papa, justificando a pauta pelo fato de que o sujeito, fisionomicamente, seria parecido com o pontífice. Nada. Aí, melancolicamente, o apresentador começa a fazer piadinhas na forma de perguntas e perguntas na forma de piadinhas, tentando criar assunto a partir de um factóide que poderia se resumir numa fotografia bem tirada e mostrada por 10 segundos. Para alívio de quem está àquela hora na frente da TV, chega o fim do bloco. Pois não é que o apresentador chama o intervalo e anuncia que a não-pauta vai continuar por mais um bloco inteiro? De duas uma: ou as pessoas estão recusando participar do programa ou demitiram o pauteiro. É o tão falado final de carreira de malandro.

23.4.07

Soneto em cantos

Às vezes a dúvida prevalece:
que esquina, no caminho do passado,
seria a que eu devia ter virado
e agora, que eu procuro, já me esquece?

Havia, ali à direita de quem desce,
uma alameda que ia dar num prado.
Na rua acima, um largo pergolado
mostrava-me um destino, se eu quisesse.

Em linha reta, no entanto, eu segui,
acreditando ser tão reto quanto.
Já na primeira curva percebi:

Minha reta sempre esbarrava em canto
ou quina. Numa só quadra, eu me perdi --
nunca vi reta que virasse tanto.

20.4.07

País



Olhando os dois posts abaixo e mais alguns dos dez últimos, me assustei com um certa casmurrice. A falta de um post hoje reforçaria essa impressão, ainda mais em uma semana tão cheia de assuntos chocantes ou quase chulos nos noticiários e jornais.

O Brasil é mais do que isso, tem mais do que isso e merece mais do que isso. Sem querer fazer, de má prosa, mediana poesia ou rosar ingenuamente o que é cinza, acho que não é preciso mais do que um chacoalhar de cabeça para lembrar que este é o pais de João Gilberto, César Lattes, Tiradentes, Nara Leão, Luís Bonfá, Lygia Fagundes Telles, Afonsinho, Gilberto Gil, Raduan Nassar, Carlos Chagas, Machado de Assis, Haroldo de Campos, Sérgio Amaral, Leila Diniz, Marina Silva, Marieta Severo, sem contar as mais óbvias, que todo mundo vai lembrar, de Chico a Volpi, de Teotônio a Portinari.

Tem jeito. Só não dá para ficar apenas esperando.

Bom fim-de-semana.

18.4.07

The usual shooters


foto: Washington Post

Tiros em Blacksburg. Já foi Tiros em Columbine. Aliás, ontem foi Tiros no Catumbi, mas o perfil é outro, mais dramático, mas mais endêmico. Tiros na civilização ocidental. Os alvejados diretos ou indiretos julgam-se algo superiores, com sua formação enraizada na Europa e sua riqueza na Nova Inglaterra. Resta uma noção heróica ou infantil ou ambas de que a bala que bate no peito só fere no faz-de-conta.

Nos Estados Unidos da América, um imbecilzinho solitário tem à mão uma carabina comprada legalmente pelo pai, pela madrinha ou, se tiver mais de 21, por ele mesmo. Sai atirando da mesma forma que um imbecilzinho daqui joga laranja da janela do prédio, peida no cinema ou passa trote pela internet.

É parte daquela cultura -- e nós entramos nessa -- atribuir um caráter complexo, indecifrável, mítico até, a aqueles que cometem esses atentados. Dessa forma, se dá a eles um veredito de inocência por incapacidade e uma sacralização às avessas. Não passam, no entanto, de imbecizinhos armados. O menino que deu os tiros em Blackburg, se não tivesse uma arma, mececeria apenas o desprezo (justo ou não, deliberado ou não) dos demais. Com uma carabina, passa a merecer teorias.

Nada há a fazer além de esperar a próxima sessão de tiros, o próximo desprezado babaca que descarregará seu pente de balas legalizado e seu complexo de inferioridade nos inocentes mais próximos. Será novamente fácil, será novamente recompensador, vai dar ao bostinha a única chance de parecer algo que mereça atenção. Trocar a vida por isso parece valer a pena para quem sabe que não vale rigorosamente nada.

Sem armas, ele apenas cuspiria da janela do apartamento, certamente com a luz apagada. Filhos da puta, ele e a cultura que o produziu.

16.4.07

Em Catanduvas



Deu na Folha de hoje: não funciona mais o presídio de segurança máxima de Catanduvas-PR, inaugurado há menos de um ano. Pelo menos não como de segurança máxima. Um desentendimento entre os guardas e a direção do presídio gerou uma operação-padrão e um descumprimento sistemático das regras disciplinares (não manter diálogos com os presos, por exemplo).

O concurso para contratação dos agentes penitenciários não se preocupou com a folha corrida dos candidatos. Resultado: onze deles têm antecedentes criminais envolvendo tráfico de drogas, homicídio e atentado violento ao pudor (eufemismo jurídico para violência sexual).

Com isso, Fernandinho Beira-Mar já é o líder da cadeia, tendo alugado dois apartamentos e financiado a compra de um táxi para acomodar seus visitantes, além de dar assistência a presos mais pobres (sabe-se a que preço).

O que mais será preciso para mostrar que o problema da violência no Brasil não tem nada a ver com a severidade do código penal, mas apenas com a garantia de que as penas serão cumpridas? O governo federal não consegue manter um único presídio como modelo, nem mesmmo para inglês ver? Será que sequer aprenderam com a correligionária Marta Suplicy e seus CEUs?

Isso é apenas mais um sintoma de um governo que não tem projeto, age aos soluços e se mantém apoiado em um arcaico assistencialismo. O que se vê como conseqüência é que, no lugar do esperado projeto de Nação, imperam projetos individuais ou grupais. Da soja do cerrado a Fernandinho Beira-Mar, o país vai caminhando nos defaults de sempre. Nada de novo, tudo de velho e um pouco menos de futuro a cada dia.

Um país de todos.

13.4.07

Um soneto que fiz há uns dois anos, em homenagem a alguém que vale por todos os meus anos.

Salva

Parece mesmo que é o fim do mundo,
que vêm trotando os quatro cavaleiros,
que o que até ontem era tão fecundo
será areia, Saaras inteiros.

Se o mundo acaba, no fundo, no fundo
parece que os juízes são ligeiros
ao julgar o planeta nauseabundo
e justos nos "cumpra-se" derradeiros.

Nem tudo, no entanto é de se alarmar.
Há sinais a ler, trazem bom ensejo:
quando o Brasil se esquece de cantar,

ouço Marina aprendendo solfejo;
quando o mundo parece se acabar,
sei, de Marina, seu primeiro beijo.

11.4.07

Pode?



O que pode e o que não pode? Esta é uma questão que cada vez menos somos capazes de responder nesta pátria salve-salve.

De uns tempos para cá, isso ficou ainda mais confuso. Greve de militar de baixa patente, pode? Pode, depois não pode mais. Abandono de serviço induzido por militar de alta patente, pode? Não poderia, mas pôde. Invasão de propriedade, pode? Uma ou outra pode, outras tantas, não. Comércio ilegal pode? Em São Paulo, pode. Ocupação de território público sem autorização, com finalidade de lucro privado pode? Em São Paulo, também pode.

Assim, como dizer ao filho que trata mal a professora que não pode? Como dizer ao sobrinho que joga papel de bala na rua que não pode? Como dizer à tia mexeriqueira que mexericar é feio, enquanto a TV premia os melhor mexerico do ano, com 150 câmeras exibindo-o?

À primeira vista, parece que, neste país, pode tudo. Mas é pior: nesta terra, não se sabe mais o que pode e o que não pode.

9.4.07

Mais propaganda



Com o gancho deixado por Lord Broken Pottery, sigo mais dois minutos pelas raias da propaganda: ainda outro dia, conversava com um jovem redator aqui da Milk, começando a carreira, com muito talento e ainda pouca vivência, que me mostrou um texto que dizia algo como "A gente faz o melhor para você". Nada demais, a não ser o fato de que o cliente era uma sisuda instituição financeira e a peça, da chamada categoria "business-to-business", quando empresa fala com empresa.

Ponderei que a expressão "a gente", ali, talvez devesse ser substituída por "nós". Do aparente estranhamento que vi, e que teve de ser seguido por uma explicação didática a respeito da neutralidade de estilo que um redator publicitário deve adotar sempre -- o estilo é sempre o da marca do cliente, nunca do escriba anônimo que a expressa --, pude mais uma vez me defrontar com um fenômeno esquisitíssimo deste Brasil: a publicidade, uma das carreiras mais procuradas pelos candidatos à universidade, parece ser o caminho que os jovens julgam apropriado para canalizar seu anseio por se expressar.

Daí, vemos, em peças publicitárias feitas por grandes agências para grandes clientes, modismos de estilo que passam longe do que deveria ser a expressão de cada marca. Assim, anúncios com fotos retocadas pelo PhotoShop mostram sempre um mesmo desbotamento, com a pele dos modelos ligeiramente metalizadas, dando-lhes um ar entre o ET e a alma penada. Tanto faz se o anúncio é de empresa de telefonia ou loja de varejo, de drops ou de picanha. Estranhamente, as instâncias superiores na agência aprovam o material para ser mostrado ao cliente e este aprova a veiculação. Daí, todos os anúncios com fotos são cada vez mais parecidos, sem que ninguém saiba exatamente o porquê daquele desbotado.

O que isso significa? Provavelmente nada, como quase nada significa a propaganda produzida atualmente. Mas fica no ar uma sensação esquisitíssima de homogeneização das formas de expressão. Pode ser uma face do tal mundo moderno, do qual, talvez, eu já esteja me excluindo. Pode ser ainda uma implicância minha. Mas olhem bem em volta. Cada vez mais, se você esconder a assinatura de um anúncio, fica difícil adivinhar o que ele anuncia.

Semana que vem, quem sabe, falarei mal dos oftalmologistas.

4.4.07

Perdão, leitores



Quando o tempo escasseia, tenho sempre a tentação de colocar reprises por aqui. Mas acho que isso acaba sendo chato para os dois leitores que lêem há mais tempo as maltraçadas que cometo. Ao mesmo tempo, tenho medo de que vicie. Afinal, uma das razões de ser do Dito Assim foi forçar seu autor indolente a escrever. Se ele pega gosto pelo copy-paste, danou-se.

Pois bom, hoje, uma das razões que me impediram de escrever aqui foi justamente escrever. Escrever um texto de publicidade para um possível futuro cliente. Não consigo esquecer do Roberto Menna Barreto, um redator carioca, depois empresário, dono da agência RMB, de algum sucesso nos anos 70. Em um livro que foi referência para a minha geração de redatores, ele dizia que um de seus orientadores na carreira foi o escritor Orígenes Lessa. Conta o Menna Barreto que o Lessa, ao vê-lo sofrendo com um dos primeiros textos com que se deparava na agência onde ambos trabalhavam, disse ao então estreante: "Garoto, se você quer escrever literatura, faça isso depois do expediente." O jovem redator entendeu naquele instante que a técnica, ali, era o que importava. De fato, depois daquele dia, tudo começou a sair mais fácil. Aparentemente, foi isso que fez com que Barreto dedicasse um capítulo para "aqueles dias em que estamos sem nenhuma inspiração". De fato, textos publicitários não merecem que se gaste por eles muita inspiração -- ela chega a ser contraproducente.

O texto publicitário está para o texto literário como o código de barras está para Mondrian. Claro, em boa parte dos casos, quem faz histórias de amor ama, o que prejudica seu texto, pelo calor da hora. Certo estava o Pessoa ao definir o poeta como "um fingidor que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente". Poeta ou prosador, quem não finge, mostra, sob a sinceridade, má poesia ou mau romance. Mesmo para confessar é preciso projeto -- o que até a Bruna Surfistinha entendeu.

Hoje, ia publicar um soneto. Não o acabei. Fui inventar de rimar com "ermos", o que é impossível fazer com alguma graça por 4 vezes. Me dispus a, mais uma vez, fazer um comentário. O tempo só me sobrou agora. Daí o presente comentariozinho, sem pé, cabeça ou rumo.

Perdão, leitores.

3.4.07

Ó, paí, ó



O terceiro filme de Monique Gardenberg, em estréia nacional, era um dos acontecimentos culturais por que todos esperavam. Como eu estava em Salvador, nada mais apropriado, considerando ainda estar o filme em cartaz no Cinema do Museu, no Corredor da Vitória, talvez um dos lugares mais agradáveis para se ver filmes no Brasil.

Tudo perfeito, dois minutos de prosa, luz apaga, entram as baboseiras e avisos de hábito e então, começa a película, já em grande estilo: o personagem de Lázaro Ramos, um artesão/artista/faz-tudo, dança e canta uma canção afro-bahiana, observado por uma figura fascinada e esquisita, acocorada no espaço que o belo ator negro ocupa. Nisso, entra uma mulher linda, vivida pela atriz igualmente linda Emanuelle Araújo, vestindo uma blusinha curta de alça e uma saia ainda mais curta, o que faz o cara parar meio acanhado à sua frente. Ela, ato contínuo, à frente dele, tira a blusa e, altiva, mostra os peitos. A frase seguinte parece dar o tom (bom) do que seria o filme: "Me pinta para o Olodum" (ou Araketu, ou Filhos de Gandi). Uma cena bonita, temperada com uma sensualidade brût e um desfecho inesperado, que ironiza justamente a sensualidade repentina. Três ou quatro minutos bem escritos, bem filmados, bem fotografados e bem montados.

Foram suas últimas palavras. Dali para a frente, Ó, paí, Ó é uma sucessão de bobagens, inconsistências e clichês que fazem do filme o mais caro trabalho de colégio do mundo. O roteiro, baseado em uma peça do Bando de Teatro Olodum, tenta colocar todos os personagens do texto original em cena. Primeira e definitiva falha: há personagens demais, não dá tempo de se construir nenhum deles. Os que vêm acompanhados de clichês anteriores, até que sobrevivem, como é o caso da "crente" e senhoria implacável vivida por Luciana Souza, atriz de fôlego, capaz de construir de forma convincente seu papel, pelo menos até onde o roteiro permite (o fim cênico que ele a impõe coloca quase todo o esforço a perder).

A segunda falha, como se a primeira já não bastasse, é a que gera maior constrangimento em quem vai assistir -- pelo menos a alguém que torça pelo filme e sua equipe: ao longo das mais ou menos duas horas de projeção, você não consegue saber se está diante de um musical, de um filme-documento, de uma comédia de costumes ou de um simples romancezinho de época -- sendo que a época é o carnaval passado.

Mas há uma terceira falha -- e essa é a falha de origem, que não seria resolvida mesmo que as duas anteriores tivessem sido trabalhadas por Gillo Pontecorvo, Stanley Kubrick e Bob Fosse juntos: Ó Paí Ó mostra um Pelourinho tomado pela cultura do axé como se esse fosse o Pelourinho original e como se o axé fosse a manifestação cultural máxima da Bahia desde sempre. Ora, todos sabemos que as restaurações mais recentes do Pelourinho passaram pela substituição dos antigos moradores e por um projeto cujo partido muito se aproxima da cenografia. Quem conhece um pouco da cultura popular brasileira sabe que o "axé music" é um fenômeno que não tem mais de 15 anos, e que a influência africana nessa manifestação cultural tão recente vem mais da boa vontade dos baianos negros e da mídia nacional do que da África propriamente dita. Ponha um axé desses para tocar e você verá influências predominantes da música que vem do Caribe, via Amazônia (nada mais parecido com esse jeito "negro" de tocar do que Teixeira de Manaus -- de que eu gosto muito, mas que é tão centro-africano quanto eu ou a Bruna Lombardi).

Mais uma vez, o cinema brasileiro que olha para dentro cai na tentação de pôr na tela os clichês mais mastigados e a mistificação mais frágil. Perde quem paga ingresso, perde quem faz cinema -- que vê dinheiro bom de financiamento público investido em baboseira. Ou ganha o cinema argentino.