dito assim parece à toa

27.2.07

Democracia no telhado?



Em entrevista recente à Folha, o sociólogo inglês Will Hutton, um dos formuladores da chamada "terceira via", sustentáculo intelectual da renovação do Partido Trabalhista britânico e fonte de inspiração de boa parte das esquerdas mundo afora, fala sobre a China, seu objeto de estudo no últimos anos.

Hutton faz ali uma crítica de viés claramente liberal (o que me surpreendeu em um social-democrata) ao que se passa na China. Em suma, recomenda que o país promova reformas que lhe tragam institutos fundamentais da democracia como concebida na Europa do século 18, sob pena de ver esboroar seu crescimento, pela fragilidade de suas instituições. Diz que as desigualdades são um dos sintomas dessa fragilidade. O repórter menciona o fato de que o Brasil tem tantas desigualdades quanto, apesar de ser uma democracia clássica. O sociólogo escapa do questionamento, ao insistir que a China é pior e que só se salvará com a adoção do modelo político do ocidente civilizado.

Democracia é um valor absoluto. Não há desenvolvimento da civilização sem que se radicalizem os valores democráticos, da forma como os conhecemos no ocidente. Mas não há como negar que vivemos um momento no mundo em que esses valores estão sob uma rajada de questionamentos. Berlusconi, Bush e o próprio Blair, no plano internacional, sanguessugas e mensaleiros por aqui são algumas das imagens lembradas quando se fala de democracia. China é o que vem à mente quando se fala de eficiência. Eficiência é o que vem à mente de um monte de gente, quando se fala hoje de visão de mundo.

O que há a temer é que a crise da democracia hoje leve a maioria silenciosa, que sempre resolve as pendências em uma sociedade de massa, a achar dispensáveis os valores democráticos. Algo entre o farinha-pouca-meu-pirão-primeiro e o simples desencanto. Daí a aceitar e depois assumir o jeito chinês é um passo apenas. Já preocupa ver o número de admiradores enrustidos do sistema penal vigente na China, conhecido pela sumariedade das sentenças e pela frieza da sanção máxima: o sentenciado é executado com um único tiro de revólver na nuca, e sua família é condenada a ressarcir o Estado pelo valor dispendido com a bala.

Por aqui, nada preocupa mais do que o abandono, já de décadas, dos valores éticos que vêm sustentando o avanço da civilização por meio da democracia. É difícil saber o que será do mundo sem ela. Dá para imaginar que será mais próximo de uma grande China. E será que estamos hoje tão longe disso?

26.2.07

Multas, que venham muitas



Sempre venho caminhando da casa das minhas filhas para o meu escritório. Há um sinal de trânsito no trajeto (amigos cariocas deste sítio, não falei nem "farol" nem "semáforo", mantendo em dia o nosso esperanto português), junto ao qual sempre paro para esperar a hora de atravessar. Hoje, resolvi contar. Além dos carros que passam no sinal amarelo (o que é permitido e recomendado apenas para quem está na área de cruzamento, ou seja, já passou da faixa de retenção), contei 3 deles que passaram depois do vermelho.

O que esses(as) senhores(as) merecem? Orientação? Será que há alguém com carteira de habilitação que não saiba que aquela luzinha vermelha significa "pare"? Já pensou a cena? O marronzinho faz o executivo estressado ou a madama apressada parar na esquina, passa a mão na cabeça do infrator e começa o discurso: "Caro educando, sabe aquelas três luzinhas ali?..." Ora essa, que venham as multas, e muitas. A solução para o problema do trânsito em SP é pavloviana. Transgrediu, paga. Choque no ratinho. Só assim se fará o apressadinho entender que o relógio corre exatamente na mesma velocidade para ele, o cara do outro lado do cruzamento e o pobre pedestre que também tem direito a se locomover em relativa segurança.

Eu gosto de marronzinhos e os quero em muito maior quantidade na cidade. E quem tiver problemas para evitar atravessar o sinal vermelho, quem não conseguir resistir a cinco minutinhos estacionado em lugar proibido, quem tiver compulsão por pegar o Joãozinho na escola parando em fila dupla, que deixe o carro em casa ou ponha a mão no bolso -- para pagar a multa e devolver a carteira de motorista à autoridade, quando estourar o número de pontos.

Multas são excelentes recursos sócio-educativos em uma cidade como São Paulo. Que venham, pois, os marronzinhos.

23.2.07

Ah, se fosse



Esse começo de ano foi um festival de demonstrações de que o país não funciona, principalmente naquilo em que o Estado põe a mão. Desde trapalhadas políticas, como a promessa de aumento dos proventos dos parlamentares feita pelo candidato depois eleito, até as eternas provas da ausência de governo, como no caso do acidente do metrô, os celulares de dentro das prisões a chantagear mães e pais apavorados, as balas perdidas e por aí a diante. Tudo isso com arrecadação crescente de impostos, e a percentuais escandinavos, como se aqui tivéssemos, por parte do Estado, a prestação de serviços que um sueco tem de seu governo.

Afinal, onde vai o dinheiro que o cidadão paga? Será que transformar impostos e contribuições em serviços é completamente impossível?

Pois acho que não, correndo o risco de fazer aqui uma comparação imprópria. Perto do meu escritório fica o SESC Pinheiros. De vez em quando vou almoçar lá. Por apenas R$ 9,70, como uma ótima refeição, em um refeitório (ou comedoria, como eles lá chamam) que lembra os restaurantes dos melhores museus do mundo. Se fosse associado, pagaria pouco mais que a metade. As instalaçãoes do SESC não ficam a dever nada às de instituições públicas dos países mais ricos, com arquitetura, instalações e programação que parecem não medir recursos. Pois de onde vem o dinheiro para isso? De contribuições vindas de empresários e empregados do comércio. Contribuições compulsórias, é bom dizer. Sim, como se fossem impostos. Com a diferença que a coisa funciona.

Fico me perguntando: será que Brasília não poderia entrar em contato com o pessoal do SESC e, digamos, terceirizar suas atribuições?

21.2.07

Ê, mundão



Fui ao cinema ver "O Último Rei da Escócia". O clima de Oscar associado ao tanto que se falou da atuação de Forrest Whitaker, mais a oportunidade única de uma sessão das 2, certamente com pouca gente em pleno carnaval, tudo junto foi motivo de sobra para galgar ao velho-novo Belas Artes, com suas 5 salas reabertas, sua entrada reformada e sua moderna bilheteria, que até cartão de crédito aceita. A.B. pagou meia, eu paguei inteira e lá fomos, felizes da vida, a ver qual era o babado do Idi Amin. Trailer vai, trailer vem, até que a luz se apaga por inteiro e o filme começa. Paisagens diversas, música dramática -- seria aquilo a África? -- e logo, enquanto uma voz inicia uma longa advertência, o letreiro se compõe: "An Inconvenient Truth".

Sim, a bilheteira nos havia vendido entradas para o filme errado. De Uganda fomos rapidamente transpostos a Washington DC. A sensação é mais ou menos a mesma que se tem ao tomar um gole de água pensando que é vodka ou vice-versa. É chato, mas no segundo gole já sabemos do que se trata.

Não sei se foi o estranhamento da situação, mas a sensação deixada pelo badalado documentário é muito esquisita. Toda a imprensa incensou a obra, alguns até a consideraram um marco neste mundo que tem sido tão indolente com sua própria manutenção, parece até que o destino do ecossistema poderia ser dividido em antes e depois de "Uma Verdade Inconveniente". O que vi, no entanto, foi um enorme comercial (ou infomercial, para usar o jargão marqueteiro) de um produto que, sem dúvida, é de qualidade, e já conhecido de boa parte do público consumidor americano: Al Gore.

A coluna dorsal do filme é uma apresentação em slides (o termo é do próprio Gore, para definir algo que é feito em flash ou em uma versão sofisticadíssima do power-point), na qual Gore mostra e prova as agruras em que nos metemos a partir da revolução industrial, principalmente a partir dos anos 70, e conclama todos a buscar um caminho de salvação para o planeta.

A perspectiva que Gore nos coloca é a de que as pragas do Egito serão diversão, perto do que o mundo vai passar por conta do aquecimento global, provocado tão somente pela volúpia do Homo sapiens de produzir e de se reproduzir, à revelia do que prega a mãe-natureza.

A mensagem é nobre, o alerta é assustador (as moscas subirão as montanhas, a Groenlândia rachará no meio, o Pólo Norte simplesmente sumirá, com o mar engolindo os ursos polares, os furacões serão muito mais devastadores, os terremotos se generalizarão, o mar ocupará um terço do atual território da Flórida, aparentemente sem que isso comprometa a sobrevivência de Jeb Bush), mas o que fica no ar é que o filme, dirigido por um certo Davis Guggenheim, é uma imensa peça de propaganda de Gore, inclusive com takes constrangedoramente ensaiados, como um em que o ex-vice fala ao telefone com um suposto assessor ou outro em que examina fotos de montanhas derretendo em um laptop.

Sem dúvida, Gore é uma cara muito útil para o planeta. Quanto a "Uma Verdade Inconveniente", parece ser muito útil para Gore.

16.2.07

Recorrente, fazer o quê?


Peça criada pela agência Leo Burnett para Akatu.

Eu tento, eu penso em margaridas, em beijos, em lá maior, em vão: tudo em volta me leva a falar do assunto.

É insuportável a reação hipócrita que vemos no pais aos crimes bárbaros que nossas periferias produzem. Tudo bem: a família do menino morto querer trucidar os assassinos a giletadas ou tiros de bazuca é normal, esperado e aceitável -- é para isso mesmo que existe a justiça, para ser um intermediário que afaste as partes e garanta uma avaliação fria e, quando for o caso, uma punição padronizada.

Me perturba ver os projetos de lei demagógicos que aparecem no parlamento. Mas há propostas que devem ser consideradas e discutidas com cuidado. Por exemplo, o limite de 3 anos de internação do menor infrator é, não apenas arbitrário, por não ter nenhuma fundamentação que o justifique, como também inadequado -- se pode se prender por três anos, pode-se prender. Três anos são apenas hipocrisia demagógica. No entanto, se alguém comete um crime hediondo aos 17, deve-se pensar no que fazer com ele, além de ludoterapia e 3 anos em uma instituição para garotos.

Tudo me dá a impressão de que existe uma busca incansável pela solução mais comodista (sim, é um paradoxo). Passe logo um projeto condenando mais gente a mais tempo, e bola pra frente. Instaure-se a pena de morte para destilar a raiva coletiva, e venha a próxima Copa. Faça-se um muro em volta de cada favela, e tchau, até o próximo churrasco em Alphaville.

Um país que se leve a sério deverá chorar seus mortos tanto quanto seus desviados. Deverá se envergonhar diariamente até o dia em que conseguir resgatar o último bebê de uma condição desumana de vida. Deverá chicotear as próprias costas sempre que a posição do Brasil no ranking da miséria for simetricamente oposta à do ranking dos helicópteros.

O fato é que as coisas não vão continuar assim. Não. Devem piorar sensivelmente. Basta ver o caminhão de demagogia que vem se derramando sobre nossas cabeças e o petroleiro de incompetência que se põe em contrapartida.

Não basta ter um ministro da justiça lúcido. São (somos?) muitos milhões de zumbis do outro lado. A briga é desigual.

15.2.07

Mini 85

Apareceu em casa de camisa nova, santinho dourado no peito e uma gota de suor na têmpora, denunciando a ânsia: como seria recebido? Parou no terraço de piso São Caetano, colunas pintadas de amarelo, sombra fresquinha compensando o calor. A porta tinha uma aldrava que ninguém usava, era só entrar. Dentro, ouviu uma voz: "Mãe, o Juca pegou minha bola!" Juca? Quem era Juca? Bola? E o menino, pelo jeito já falava. "Deixa o seu irmão, Miro, ele ainda é um bebê." Miro. Miro Júnior. O seu primogênito. Talvez fosse melhor voltar para o caminhão e virar a noite até Belém. Quem sabe Alvinete o aceitasse de volta?

14.2.07

Começou



Fácil: diminua-se a maioridade penal. Fácil: determinem-se a pena de morte e a prisão perpétua. Fácil: decrete-se a proibição da venda de cola de sapateiro. Fácil: permita-se que a polícia atire antes e pergunte depois. Fácil: promulgue-se a expulsão dos nordestinos de São Paulo e do Rio, dos interioranos de Recife e Salvador, dos suburbanos de Campinas e, enfim, dos pobres em geral dos lugares aonde não foram chamados. Fácil: permita-se, em casos extraordinários de violência midiatizada, o ateamento de fogo nas favelas mais perigosas dos grandes centros urbanos do país. Fácil: decrete-se a civilização no Brasil e revoguem-se as disposições em contrário.

Começou a euforia legiferante lá em Brasília.

12.2.07

O sonho

Distante de mim,
um pouco além da esquina,
fica o sonho.
Não se deixa ver,
dele ouve-se falar.
Ventos, monstros, mitos, sílfides,
o sofá da casa velha.
Parece que mostra tudo
e nada explica.
Quem o viu conta prodígios
(claro, aumenta um ponto)
e diz que não se conta o que se sente,
seja o terror paralisante,
seja priápica libido,
seja ainda um pleno vôo.
O sonho -- seja o que for --,
da mente, muda o mundo;
do fundo da alma, muda
as gentes -- ao menos é o que se conta.
Devidamente descontado o ponto,
sobra ainda um fabulário
que, a mim, não se deixa ver,
já que, se chego mais perto,
antes mesmo do dobrar a esquina,
ainda sem vê-lo, desperto.

9.2.07



Luto. É só o que se pode assumir neste caso chocante do menino que morreu depois de ser arrastado do lado de fora do carro em que estava, e que havia sido roubado por três rapazes.

Luto, antes de tudo pelo menino morto.

Mas luto também pelos três rapazes, já nascidos semimortos. Não, não é um rousseaunianismo repentino, de achar que são bons meninos potenciais corrompidos pela sociedade -- eu não os conheço, não posso atribuir-lhes essa generalização. Mas maus ou bons, os que nascem na frigideira das favelas cariocas já vêm com um pé na cova.

Luto, ainda, por esta nação jeca-tatu-antes-da-botina em que vivemos, esta ladeira da preguiça morro abaixo, este soar eterno de alarmes que já não alarmam ninguém, esta terra descoberta por Cabral e governada pelo Cabralzinho, muito simpático -- até um pouco chato, parece -- mas igualmente incapaz de fazer qualquer coisa a mais do que os diminutivos que o antecederam.

Luto fechado pelo discurso perdido no deserto de gente como Betinho, exceção civilizatória neste mundo dividido entra Chinaglias e canalhas. Luto pela preguiça crônica, pela esperteza cômica, pela decadência ozônica.

Deveríamos todos ficar de luto pelo menino -- cujo nome omito para que continuemos falando de um menino tão genérico quento ele possa ser, com o perdão da dor dos familiares, que de resto não lerão estas letras miúdas. Mas já não conseguimos nem isso, o máximo a que chegamos é virar o jornal para o lado em que a notícia não está e ficar chocados por dez segundos.

Luto: é o que deveríamos vestir já pelo moribundo mundo a que chegamos.

7.2.07

Saiu uma notinha no site Blue Bus, especializado em propaganda e correlatos, mostrando que a marca oficial do carnaval de São Paulo de 2007 foi chupada da marca de uma instituição chamada "Agência Intergovernamental da Francofonia". Abaixo da nota, a demonstração do plágio, que reproduzo aqui, não na melhor resolução do mundo, mas suficiente para entender o problema.



No dia seguinte, a agência responsável pelo plágio, a B. Ferraz, uma das maiores agências de marketing promocional do Brasil, solta uma nota declarando candidamente: "Parte da pesquisa foi realizada em bancos de dados e várias imagens foram usadas como referência, entre elas a da Agence Francophonie, para a criaçao da marca do Carnaval de Sao Paulo 2007". Ou seja, assume o plágio, ainda que sob o eufemismo de "referência" e toca em frente. Junto, leva a estatal Anhembi e o povo de São Paulo em sua pequena falcatrua.

É assustador ver como os princípios mais comezinhos de ética e respeito vão perdendo sentido e se dissolvendo. Há quem diga que isso é característico do mercado publicitário. Bem, não há dúvida de que a publicidade já deu mostras de ter um padrão ético de horrorizar a Yakuza, como no advento Zeca Pagodinho-Brahma, de que todos ainda se lembram. Mas se há nesse mercado gente que não se importa com chorumelas como propriedade intelectual, cumprimento de contrato ou apropriação indébita, isso não é exclusividade de publicitário -- se fosse, a solução era mais fácil.

O problema é que, mais ou menos na mesma época em que Francis Fukuyama cunhava o fim da história e os yuppies aprendiam a ficar ricos aos 25 anos, os padrões de ética e seus disseminadores -- escolas, mídia e até igrejas -- começaram a apresentar sinais de obsolescência. Hoje, esses sinais parecem ser de apodrecimento vertiginoso. E nada está sendo colocado no lugar. Se isso só desaguasse em plágios estúpidos de peças publicitárias de gosto duvidoso, tudo bem. O problema é que isso virou coisa pior. O que é Bush invadindo países, tolhendo liberdades democráticas centenárias, descumprindo acordos internacionais? O que é a Rússia sob Putin? O que é Duda Mendonça?

Estamos criando um mundo em que tudo pode. Isso é apenas o começo do fim.

2.2.07



2020

Muita coisa está para acontecer, entre hoje e 2020, que vai mudar muito a cara da Terra que vemos nos nossos dias. Algumas ilhas importantes, charmosas e conhecidas, e até certos minúsculos países, poderão ser atração para mergulhadores, depois que a tão anunciada fusão das geleiras deixar de ser ficção para ser filme de terror. Tudo indica que a hoje abandonada África será neocolonizada pela China, a quem cada vez mais sobram recursos, mão-de-obra e vontade de se espalhar pelo mundo. Os pretensos condutores da geopolítica mundial tomarão um baita susto, mas terá sido, então, inevitável. É razoável admitir que, até a data mágica e redonda, os conflitos no Oriente Médio terão mudado de rumo, com os Estados Unidos definitivamente fora de lá -- e combalidos -- e os territórios conflagrados ainda bem conflagrados. O Oriente Médio e a região que abrange Irã e Iraque são uma costura geopolítica artificial, alinhavada pelo colonizador europeu para manter algum poder quando teve de conceder independências por lá. O Ocidente não conseguirá nada na região, a não ser alongar um combate que não é seu.

E 2020? Será melhor, ou pelo menos com mais perspectivas de futuro do que tínhamos no ano passado. É de se esperar que os sustos que os dias de hoje têm trazido à humanidade a farão tomar providências para tentar estancar o aquecimento global. Muitas já estão idealizadas, boa parte estapafúrdia, mas daqui em diante, isso é tema da hora, e a inventividade humana precisa só de foco para ter resultado.

Junto com isso, é bastante provável que o peito das camisetas deixe de trazer o Che para receber Osama Bin Laden. Principalmente se ele morrer de modo violento, em situação patrocinada pelo Ocidente. O mundo tende a absorver a cultura islâmica e, em grande parte, adotá-la. Vamos todos virar para Meca no Ramadan de 2020. Mas faremos isso em paz, alguns com uma pontinha de esnobação, outros com fé, outros ainda com fanatismo. Enquanto isso, a religião católica será mais e mais uma religião de velhos, começando a declinar de forma mais acentuada. Aos setenta e poucos anos, Al Gore será uma espécie de ídolo pop, enquanto Hillary Clinton terá passado o poder a Barack Obama, que vai consolidar um longo período de democratas no poder.

No Brasil, continuaremos chamando urubu de meu louro, enquanto Aécio Neves, no meio de seu primeiro mandato, anuncia uma reforma ministerial. A senadora Luciana Genro protestará com veemência. Já o prefeito de São Paulo, Turko Loko, anunciará seu programa de educação para meninos da periferia.

E o mundo não se acabou.