dito assim parece à toa |
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Comentários, reflexões, declarações e acessos eventuais de fúria ou riso, relacionados com o desenrolar da história. |
29.4.05
Sexta-feira outonal, boa para falar de política. Todo mumdo ficou injuriado com a convocação do presidente Lula para que movêssemos nossas bundas das cadeiras. Hoje tem coletiva, deveremos ver mais façanhas deste que vem se tornando um dos grandes malabaristas verbais do nosso tempo. Penso que Lula dá nó em pingo d'água. Não é nada fácil -- ou melhor, é cada vez mais difícil -- fazer girar todos os pratos sobre varetas tão distantes como PMDB e PT, PL e PTB. Ele, então, como jogador cioso, bem posicionado no meio-campo, chama o jogo para si (perdão, não resisti à metáfora ludopédica). Não vai funcionar, mas encanta a torcida por algum tempo. De onde vem a dificuldade desse governo de governar? Modestamente, acho que vem de sucessivos erros de avaliação política. Antigos, mesmo. Por ter um projeto de poder que sempre suplantou um projeto de nação, o PT rejeitou sistematicamente, com soberba, fazer alianças. Desta forma, jogou para a torcida dentro e fora de casa. Resultado: muito cedo queimou os navios com aliados com quem mais se afinaria politicamente, caso mais óbvio o do PSDB -- e antes dele, o grupo que lhe deu origem, a esquerda do PMDB. Hoje, depois de tomar sua ducha de vida real, o PT se vê em palpos de aranha, tentando domar a sanha de PL, PTB e PMDB, ao mesmo tempo em que traz ao suporte do "núcleo duro" do governo mais e mais gente do governo passado -- diga-se, uma elite administrativa de rara qualificação. É óbvio -- mas ninguém tem coragem de dizer por medo de ser chamado de atrasado ou burro: a lógica simples aponta para a convergência de posições de PT e PSDB. No entanto, isso se fez impossível, em grande parte pela intransigência do PT, que não resistiu à tentação da crítica absoluta -- que é a mais fácil das críticas --, e agora pela "vendetta" do PSDB, justa ou não. O que se vê é o PSDB com o PFL e o PT com o PL e o PTB, paquerando o PPB (antiga Arena e PDS) e o Quércia. Não seria muito mais legal se a gente pudesse se juntar, PSDB e PT, cuspir no chão e dizer pro ACM, pro Michel Temer, pro Maluf, pro Renan Calheiros, pro Waldemar Costa Neto, pro Bornhausen, pro Quércia: "pisa aqui se for homem!"? Pois é, no entanto, ficamos, tucanos e petistas, rangendo os dentes para os amigos e bajulando os inimigos. Acho que nem o Paraguai é tão esquizofrênico. | 27.4.05
Uma das coisas que me apavoram na vida é o cacoete da reclamação. Essa coisa carpideira que nós carregamos, esse atavismo do ai, esse aleijão do "óóóói", essa mania do "sei não". Eu faço isso, acho que tenho reclamado demais, tenho transpirado vinagre, falo mal disto e daquilo, julgo à distância. Não faço isso o tempo todo, mas faço o suficiente para ver subir a bandeirinha. *** Se um dia eu puder construir uma casa, o arquiteto que a projetará terá de ser um exímio conversador. *** Notícias do Planalto: diz a lenda que na sexta-feira tem coletiva do presidente Lula. A primeira desde a posse. Já fico imaginando as metáforas, de um lado, e as perguntas capengas, do outro. *** Romário e Robinho no ataque. É hoje! *** O que é o Emerson Fittipaldi na campanha do Unibanco? *** É de certa forma estimulante ter uma carreira em um setor da economia que está encolhendo, no caminho não da extinção, mas de uma metamorfose muito profunda. A propaganda como vista até o fim do século 20 está morrendo, lenta e inexoravelmente. (Bom) sinal dos tempos. *** A mais badalada agência de propaganda do momento se chama Africa. Sem acento e sem HIV. Afinal, ali no prédio de escritórios mais luxuoso e caro de São Paulo, onde os elevadores são inteligentes e a arquitetura é perdulária, a Africa sem acento goza de uma feliz assepsia. É parte do mundo Daslu. Vende-se muito caro. Faz bem, já que ainda há quem compre. Agora, por que Africa? Deve ser homenagem, mas neste cenário é inevitável que pareça escárnio. *** Não falei? Olha eu reclamando de novo. | 25.4.05
A semana começa com uma pergunta. Depois de quatro dias de folga em uma casa sem luz elétrica, nas montanhas de araucária entre São Paulo e Minas, volto à capital e seus jornais. As revistas semanais brasileiras trazem Bento XVI na capa. O Time traz Ann Coulter, a loura radical de direita que sugere que os EUA lancem logo uma bomba nuclear na Coréia do Norte e que o linchamento seja legalizado, entre outras barbaridades. A Veja traz uma entrevista exclusiva com Donald Rumsfeld, o secretário de defesa de Bush, e um anúncio da co-irmã Exame, que traz na capa a chamada "Jack Welch ensina como vencer", ladeando uma foto em super close-up do executivo símbolo do pensamento "reengenharia", o cara que se orgulha dos milhões de empregados que demitiu e do mau-caratismo que incutiu na corporação que comandou nos anos 90 e que, de certa forma, virou padrão de gestão e de relações intra e inter-empresas. A lista dos personagens do domingo à noite -- Bento XVI, Ann Coulter, Rumsfeld, Bush, Jack Welch -- parece a escalação do time de futebol de salão do Grêmio Recreativo Mussolini Vive. Mas por que isso incomoda tanto? Eis a pergunta. Tivemos Churchill, tivemos Reagan, tivemos Mao, tivemos Golda Meir, tivemos Pio XII, tivemos Fidel, tivemos Getúlio, tivemos até o pai do Bush. Todos, em maior ou menor proporção, tinham seu lado vilão. O que há de diferente nesses(as) caras de hoje? A resposta está nos olhos. Peguem as fotos e olhem nos olhos do Cardeal Hatzinger, de Coulter, Rumsfeld, Bush e Welch. A impressão que dá é a de que, por trás daqueles olhos, há respostas, fartura delas. E só. Não se consegue suspeitar ali um sonho sequer. A batalha deste século tem pouco a ver com respostas, até por vivermos um tempo coalhado delas. Quando Lennon disse ou citou "the dream is over", falava de um sonho a ser mantido vivo. Quando W. Bush repete pervertendo "I have a dream", ele fala de todos os sonhos, e seu subtexto vocifera: "dreaming is over". A batalha deste século é pelos sonhos. E a tropa do outro lado é forte. | 20.4.05
Semana curta. Isso significa pouco tempo para fazer praticamente o mesmo trabalho de uma semana normal. Isso, por sua vez, significa carência de tempo para atividades como almoçar com os amigos e escrever para o blog. Ainda há de chegar aquela cartinha da Escócia comunicando que aquele tio avô que eu não sabia que tinha me deixou um castelo com barras de ouro dentro como herança. Aí eu vou escrever com mais fidelidade aos meus poucos e bons leitores e, quem sabe, mudar o template do lugar com um projeto gráfico do Alberto Lima e do Alexandre Wolner. Bom feriado a todos! | 18.4.05
Era mesmo um tumor benigno. Vinte anos passaram até que os médicos confessassem ter ocultado essa informação ao longo de toda a agonia de Tancredo Neves, que culminou com sua morte, em 21 de abril de 1985, após 38 dias de comoção nacional. O ano de 1985 foi um dos mais intensos -- e talvez o mais longo -- da minha vida. Trabalhava como professor (costumo dizer que sou um professor em recesso, "lotado" no cargo de diretor de criação), vivia uma paixão, pode-se dizer, pulsante -- ora era sístole, ora, diástole -- mas intensa e envolvente. A realidade ao redor era igualmente intensa e envolvente. Depois de 21 anos de uma ditadura desastrada, burra -- e, por contágio, emburrecedora --, truculenta e, como toda ditadura, corruptora, havia uma saída que parecia sólida, consistente, bem articulada. Em torno de Tancredo Neves, havia-se conseguido gerar uma coalizão que unia as oposições (o PT, como sempre, ficara de fora), PMDB à frente, a um racha no partido dos militares, o PDS, que, incapaz de achar um nome de consenso para a sucessão do general Figueiredo, não se uniu em torno de Paulo Maluf. Essa ala, ao mesmo tempo, ouvia bem o clamor geral e adorou a idéia de mudar honrosamente do barco que fazia água para o hidroavião que os levaria à Nova República. A Frente Liberal fez aparecer, quase num passe de mágica, os novos democratas da Nação. Habilidades de Tancredo. Parecia que, com elas, o país faria a travessia à Canaã das liberdades democráticas, da inserção no mundo civilizado. De fato, em 15 de janeiro de 1985, um colégio eleitoral formado por apenas 660 pessoas -- os deputados federais e senadores, mais representantes das bancadas majoritárias das Assembléias Legislativas -- traduz e consagra a vontade nacional, elegendo o mineiro Tancredo Neves e vingando a derrota da campanha das diretas. Tudo parecia iluminar: o facho que apontava ali o fim do túnel, a estroboscópica que marcava meus afetos, o spot-light que se esboçava na profissão de educador, a lanterna duradoura dos amigos. As reações à vitória foram positivas, o país se entusiasmou, tudo estava, mais do que calmo, feliz. E aí vem o trote. "O Tancredo foi internado." Como assim? Essa era a brincadeira de mau-gosto mais previsível do mundo. "É verdade." Eu estava em uma festinha, acho que era um aniversário, umas quinze pessoas que, em dez segundos, se postaram ante a TV para tentar descobrir o que acontecia. "Apendicite", diz o repórter. A sensação de trote não passava. Horas mais tarde, a apendicite cai. Alguém comenta que Tancredo já teria tirado o apêndice anos antes. Aparecem, então, a diverticulite de Meckel e o Sarney tomando posse. O trote vai virando angústia -- e verdade. "Foi um tumor benigno". Ouvi isso pela primeira vez em uma roda de pessoas mais bem informadas e próximas dos palácios, ainda nos primeiros dias, quando se dizia que logo, logo, ele voltaria. Logo, logo, ele chegou a São Paulo, eu pasmo por estar presenciando aquele momento de conto de fadas ao contrário, aquele Hans Christian Andersen institucional. Cheguei a ir com Aninha, minha amiga de todas as horas e, portanto, também dos micos, à porta do Incor, tentar torcer por ele. Dias depois, fui sozinho até a beira do aeroporto de Congonhas ver sair o avião com o corpo do presidente. Voltei para casa com a cabeça latejando de ressaca e da idéia de Moisés, que não chegou a Canaã, embora tivesse deixado o povo ali na porta. 1985, como a vida, continuou. Tivemos Sarney como presidente. Eu tive um ano importante como professor e um primeiro convite para colaborar com uma agência de propaganda. A moça que era minha paixão pulsante conseguiu uma bolsa para estudar na Europa e lá se foi. Quinze dias depois, comecei a namorar a mulher com quem viria a me casar. A vida continuou. Depois que Tancredo morreu, a gente fez um país. Talvez quiséssemos ter feito outro. Pode ser até que ainda façamos. Talvez fique mais fácil depois de termos consciência de que aquilo era mesmo um tumor benigno. | 15.4.05
Ronaldo Bôscoli escreveu as letras mais controvertidas da bossa nova. Teve Roberto Menescal como parceiro mais freqüente -- o que faria qualquer letra soar maravilhosa, dada a qualidade de sua música. Mas isso não encerra a controvérsia. Nara Leão cujo primeiro namorado foi justamente Bôscoli, atribuía a ele, tempos depois, uma charlatanice sem tamanho. É uma versão a considerar. Basta ler a letra de "Você", uma das mais belas canções da "bossa-nova-além-joão": Você/ Manhã de todo meu/ Você/ Que cedo entardeceu/ Você/ De quem a vida eu sou/ E sei, mas eu serei/ Você/ Um beijo bom de sol/ Você/ De cada tarde vã/ Virá/ Sorrindo de manhã/ Você/ Um riso rindo à luz/ Você/ A paz de céus azuis/ Você/ Sereno bem de amor em mim/ Você/ Tristeza que eu criei/ Sonhei/ Você pra mim/ Vem mais pra mim/ Mas só. Coloquei-a inteira aqui para ilustrar a discussão. Cá entre nós: ou é um inalcançável James Joyce ou é um malabarismo verborrágico no estilo que anos depois consagraria Djavan (o sol e o dom/ quiçá/ um dia/ a fúria desse som/ virá lapidar/ o sonho/ até gerar o som??? Fala sério!). Ou talvez nem uma coisa nem outra, mas apenas um escriba talentoso a experimentar sua língua. Vá lá. Bôscoli é mais um daqueles caras marcados por suas contradições. Jornalista, gabava-se de conhecer todo mundo que valia a pena no Rio de Janeiro. Não escondia ser ranheta e reacionário. Como letrista, além de Menescal, teve parcerias com Chico "Fim-de-Noite" Feitosa e Carlos Lyra. Inventou os "pocket-shows", que deram o primeiro impulso à bossa-nova. Fez uma dupla famosa com o "soi-disant" debochado Miéle, produzindo com ele grandes shows, a destacar os de Roberto Carlos. Namorou, além de Nara Leão, a cantora Maysa e a modelo Mila Moreira, entre uma imensa fila de mulheres bonitas. Casou-se em grande estilo com Elis Regina, o que, se não vingou como relação, gerou João Marcelo, um craque, como o pai, em agregar talentos. Há uma autobiografia de Ronaldo Bôscoli, "Eles e Eu". Não a li, não creio que valha a pena, pelos trechos que experimentei. Mas parece ser uma dessas pessoas que o Brasil de vez em quando produz e que vêm para catalisar. Quando se fala em bossa-nova e se lembra dessa época de surpreendente inovação que varreu o Rio e o Brasil, não dá para esquecer Ronaldo Bôscoli, até mais como eminência parda do que como estrela -- embora não recusasse nenhum dos dois papéis. | 14.4.05
| 13.4.05
Maysa. Como é que podemos esquecer essa voz, essa mulher, esse tempo? Maysa Monjardim era uma daquelas mulheres lindas, de boa família, a quem cabia ser premiada com um casamento em grande estilo, depois filhos, depois renome secundário, de esposa e mãe. Cumpriu o começo desse caminho, casou-se aos 18 anos com um milionário, André Matarazzo, e ia ali, linda, exuberante, cumprindo a sina. Só que a moça cantava. E como cantava. Mulher de sociedade, tinha festas e ouvintes para quem cantar. Não demorou para ser ouvida por profissionais, menescais e bôscolis. Gravou o primeiro disco. Foi o suficiente para que se tornasse a melhor voz de sua geração, talvez junto com Sílvia Telles, mas aí já entramos na seara do gosto-não-se-discute. A voz contralto de Maysa trazia uma sensualidade que nenhuma cantora brasileira havia mostrado antes. É impressionante, também, o rigor, a afinação, o domínio da técnica, aparentemente inata. Maysa percorreu o caminho que a tirou da vida fácil de esposa e viúva de milionário e a levou a ser estrela. Não agüentou. Mas antes de se entregar ao final clássico da ponte Rio-Niterói, gravou sua voz para sempre na memória do Brasil que ainda se enxerga. Ao pensar neste salto extremo, me pergunto o que terá sido tão decisivo para uma mulher tão exuberante. | 11.4.05
Acabou a luz na Berrini. Todos aqueles prédios com sua estética duplo M (Miami com Moema) estão parados, sem luz, elevador, telefone, internet, ar condicionado. O sol bate nos prateados e seus fumês, e assa todos aqueles executivos que, por alguns instantes, imaginavam estar em Nova York, olhando o Pinewood River como se fosse o Hudson. Bem-feito. Esta cidade precisa de decisores mais inteligentes e comprometidos com alguma coisa além do próprio umbigo. O presidente do BankBoston precisa decidir para onde muda seu banco levando em conta não só suas questões internas como também o impacto que isso causa no espaço urbano. O diretor de patrimônio da MicroSoft precisa saber que, ao se implantar numa região nova da cidade, isso pode ter conseqüências desatrosas para a própria cidade, para sua própria empresa ou para seus funcionários que, além de não ter onde almoçar, fazem ginástica forçada, semana sim, semana não, pelas escadarias de seu prédio. O prefeito de São Paulo deveria interferir nessa situação, dando benefícios a empresas que façam o caminho de volta para o Centro, a Paulista e a Faria LIma velha. Apesar de essa decisão ser obviamente benéfica para todos, parece que, sem esses benefícios, os tais decisores preferirão insistir no erro. Até para tentar convencer seus acionistas de que aquilo é acerto. | 8.4.05
Leio no Estadão: "Orkut rende-se ao Brasil e passa a falar português". Penso aqui com meus botões: "Bad, bad server, no donuts for you" não deve ser assim tão difícil de traduzir. | 6.4.05
Não há como não comentar o Papa. Karol Wojtyla foi a grande surpresa do ocidente, naqueles tempos em que estava para nascer a "reaganomics" e ainda se vivia a paranóia da guerra fria, velhinha agourenta. Passado o susto da morte prematura de João Paulo I, pareceu a todos que a escolha de um não italiano, proveniente de um país da cortina de ferro, com uma aparência muito diferente do que vinha sendo o "physique du rôle" dos papas, poderia representar mudanças importantes na visão da igreja e na forma como isso influenciaria a vida de milhões de católicos mundo afora. A principal mudança parece ter sido a criação de um papa midiático, uma espécie de JFK de batina, um homem que se dispôs criar uma marca para sua instituição e tornar-se sua tradução, seu símbolo. Esse João Paulo II viajante, esquiador, ator, atlético mesmo -- pelo menos até sofrer o atentado de 1981 -- conferiu um ar de modernidade ao ser católico. No entanto, sempre defendeu posições conservadoras quanto à doutrina. João Paulo II pode ter representado mais uma guinada dentro do movimento pendular que a igreja católica parece ter seguido ao longo do século XX, com papas mais conservadores, como Pio X e Pio XII sendo sucedidos por outros mais progressistas (e odiados pelos fundamentalistas católicos) como Bento XV e João XXIII. Pode ser que venha alguém mais arejado para o trono de Pedro. Mas o que parece é que a marca conservadora de João Paulo II ainda será mantida por muitos anos, até pelo desmonte que seu papado promoveu entre as organizações católicas mais progressistas. Desta forma, me parece que seu legado corre o risco de ser o afastamento das massas, pouco dispostas a se impor restrições e sacrifícios que não parecem fazer sentido fora dos muros dos conventos. Parece que, eleito o papa negro de Nostradamus ou não, a Igreja católica tende ao encolhimento e à exacerbação tanto de seus fundamentalismos quanto de suas contradições. | 4.4.05
Mini 61 Branca embrulhou com carinho, em uma folha de papel de pera (era assim que sua mãe chamava aquele papel azul-escuro-arroxeado que embrulha frutas), a pera. Pegou mais uma folha e embrulhou a garrafa de um litro de vodca, novinha e quente, temperatura de supermercado. Em outra folha, meio amassadinha, colocou o livro e fez até uma graça na dobra. Branca tinha a esperança de que a mãe, ao receber o presente, tomasse tudo de uma vez, e fosse a última. Por via das dúvidas, a pera e o livro. Engasgar era sempre uma possibilidade. | 1.4.05
Voltei aos contos. O bom disso é que o nível deste sítio poderá melhorar um pouco. Em compensação, voltei também a trabalhar muito, noite adentro até. O bom disso é que o nível deste escriba também poderá melhorar, sair do coxão mole para o contra-filé em um ou dois anos. O problema da combinação dos dois eventos é que, com o trabalho, o conto vai atrasar, talvez consiga postar hoje à noite. Enfim, compensações. Enquanto isso, ele continua roubando meus leitores. | |